7. ECONOMIA E NEGCIOS 13.3.13

1. A NOVA ERA DA DESIGUALDADE
2. PARA NO SOFRER COM O LEO

1. A NOVA ERA DA DESIGUALDADE
Antiga terra das oportunidades, os Estados Unidos, ao contrrio do Brasil, veem aumentar o abismo entre os ricos e o restante da sociedade
Mariana Queiroz Barboza

Antes um smbolo do atraso do Terceiro Mundo, a desigualdade chegou aos pases desenvolvidos, em especial os Estados Unidos. Enquanto no Brasil o abismo social  cada vez menor, nos EUA a distncia entre as camadas mais ricas e as mais pobres da populao s aumenta. O processo se agravou com a atual crise econmica, mas uma pesquisa mostra que a desigualdade social americana tem se acentuado desde o final da dcada de 1970. De acordo com levantamento do Congresso americano, a renda das famlias 1% mais ricas cresceu impressionantes 300% de 1979 a 2009, enquanto a da classe mdia avanou apenas 40%.

ABISMO SOCIAL -  Pesquisa revela que a desigualdade social nos EUA tem se acentuado desde o final da dcada de 70
 
Para Francisco Ferreira, economista-chefe do Departamento de Pesquisas para o Desenvolvimento do Banco Mundial, o aumento da desigualdade nos EUA decorre da evoluo tecnolgica, da globalizao, da competio com outros pases (que mantm os salrios baixos), e, o fator mais importante, da economia poltica. Desde o governo de Ronald Reagan (na dcada de 80), houve uma desonerao dos mais ricos, disse Ferreira  ISTO. O Imposto de Renda sobre o trabalho ainda  progressivo no pas, mas o tratamento preferencial a bens de capital tem beneficiado os mais ricos  e, entre os americanos com renda acima de US$ 10 milhes, quase metade dela vem de ganhos de capital e dividendos. A elite tem influenciado o sistema tributrio por meio de seu controle poltico, afirma o economista. Em 2011, o bilionrio Warren Buffett, quarto homem mais rico do mundo, lanou luz sobre a questo ao dizer que pagava ao Estado uma proporo menor de sua renda que sua secretria. Buffett pagou, naquele ano, uma alquota de 17,7% em impostos, enquanto o americano mdio pagou 30%. Essa distoro tem tornado a escada da mobilidade de classes ainda mais ngreme. O maior vilo, segundo o conselheiro da Casa Branca e ganhador do Nobel de Economia, Alan Krueger (e os manifestantes do movimento Ocupe Wall Street),  o setor financeiro.  claro que a proliferao de altos salrios recebidos no setor financeiro contribuiu para o aumento da desigualdade, disse numa palestra em janeiro. A proporo de pessoas no topo oriundas de bancos e da indstria imobiliria quase dobrou de 1979 a 2005. E, naquele ano, esses executivos fizeram um quarto da renda do 0,1% mais ricos.
 
Com uma classe mdia em expanso e, portanto, na contramo da tendncia americana esto a Amrica Latina e o Brasil. Na ltima dcada, a classe mdia avanou 50% em nmero de pessoas na regio e o Brasil foi responsvel por 40% desse crescimento, segundo o Banco Mundial. Ao mesmo tempo, 28 milhes de brasileiros saram da pobreza extrema no perodo. O aumento do salrio mnimo e os programas de transferncia de renda, como o Bolsa Famlia, foram fundamentais nesse processo. O Brasil antes era um Estado de bem-estar social s para a classe mdia e os ricos, porque uma grande massa de trabalhadores informais no tinha acesso a nada, diz Ferreira, do Banco Mundial. As novas polticas levaram o Estado a contribuir para os pobres. Os EUA, por outro lado, esto redistribuindo cada vez menos.

Apesar do cenrio preocupante, um impasse poltico acionou nos EUA um plano de austeridade forada. Apelidado de sequestration, o plano, que entrou em ao na semana passada, autoriza uma srie de cortes automticos de despesas  US$ 1,2 trilho nos prximos dez anos. Maioria na Cmara americana, os republicanos insistem nos cortes em programas sociais para reduzir a dvida pblica, em vez de aumentar os impostos dos mais ricos, como quer Obama. Na ltima dcada, os americanos no se preocuparam em evitar o aumento da desigualdade, disse  ISTO Sean Reardon, professor de sociologia da Universidade de Stanford e especialista em desigualdade social da fundao Russell Sage. Infelizmente, no acho que essa mentalidade mudar no curto prazo. Krueger e um grupo de economistas argumentam que o recrudescimento da desigualdade afeta a volta do crescimento econmico. De acordo com Krueger, se US$ 1,1 trilho tivesse sido recebido por 99% da populao em vez da camada 1% mais rica, o consumo anual seria cerca de US$ 440 bilhes maior. Alm disso, se grande parte da populao for privada de acesso a meios que a tornem produtiva, como as universidades, ela vai contribuir menos para o crescimento do PIB do que poderia.


2. PARA NO SOFRER COM O LEO
Chegou o momento de reunir os documentos para declarar o Imposto de Renda. Confira as mudanas que deixaram o programa mais simples
por Fabola Perez

Recibos, notas fiscais, comprovantes de pagamentos e carns. Comeou a corrida para reunir e colocar em ordem os documentos necessrios para declarar o Imposto de Renda de 2013. A novidade deste ano  que o programa ficou mais simples para o contribuinte. Agora  possvel recuperar informaes das empresas pagadoras e dos pagamentos realizados no ano passado, afirma Rodrigo Paixo, coordenador de Imposto de Renda da H&R Block, maior empresa de servios na rea. As mudanas foram adotadas com o propsito de deixar o programa mais intuitivo. A ideia  oferecer um sistema mais simples, no qual o contribuinte s precise atualizar as informaes que a Receita possui, diz o especialista.

